Arquivo de maio, 2011

Alguns meses atrás, eu escrevia aqui sobre a alegria de começar a dar aulas,  no sentido de sentir-me útil, falar das experiências que considero importante e que seriam interessantes serem repassadas para gente nova, para a “moçada”… mas é evidente que aquele post era de uma tremenda ingenuidade e esperança besta! Miguel sempre diz que sou otimista demais. Achava que ele exagerava, mas na realidade é mais pura verdade!

A sala de aula, na realidade, é um campo minado. Pode ser que você pise em alguma bomba que se ativada, será o fim ou o início de um calvário.  Não é de hoje que ouço que os alunos estão cada vez mais mal educados,  desrespeitosos, pouco interessados, mas eu achava, e talvez queria ainda acreditar, que por estar dando aulas em um faculdade de artes, num curso de produção musical, eu teria uma situação diferente. Ledo engano! Estudantes, sejam eles universitários ou não, gostam de assumir sempre a postura de anti-professores. Para eles, a aula é hora é o momento de “jogar” com o cara lá na frente, desestruturar a figura que se coloca como a que sabe mais, checar se ele sabe mesmo, medir forças, irritar quem dá as cartas.  Nas minhas aulas, sempre há  um aluno me provocando o tempo todo, insinuando todo o desinteresse do mundo, falando o tempo todo durante a aula, olhando no celular, saindo a hora que quer, ” zoneando” a sala, desconcentrando todos… e eu, tentando contornar na boa a tal figura… E lá dentro eu pensava.. “pôxa, eu adoraria ter tido essa aula que eu estou dando… porque nunca tive a oportunidade de saber de antemão como deveria  enfrentar o tal mercado da música,  e eu tive que aprender na marra,  dar murro em ponta de faca, enfim, sofri a beça para colocar o Mawaca na roda, abrir um espaço para um banda que não tinha referência nem no gênero musical, aqui no Brasil. Penei muito e tive que ouvir tantos e tantos nãos.

Agora, existe um curso que apresenta tudo em primeira mão pros alunos e os caras não sabem aproveitar! Amigos me dizem que é porquê a escola é particular e os alunos aprenderam apenas a ser arroagantes. Amigos dizem que a relação aluno-professor mudou, hoje o aluno é como um cliente que cobra serviços que o atendam, o professor é um mero funcionário que se não fizer o que os alunos querem, é ameaçado de ser expulso etc.

Assim, me sinto uma estranha no ninho. Preferia dar aulas apenas de música para aqueles que consideram a música algo especial e não um meio de vida, uma forma de ganhar dinheiro e ponto. Acho que estou sendo romântica demais, eu sei. Mas que eu não aguento essa aporrinhação de aluno arrogante, desinteressado, desconectado, sem expectativas… não aguento mesmo…

O Rio Negro é um lugar mágico, cheio de histórias, pessoas, lugares, objetos, mitos que sempre me instigaram a imaginação durante anos. Depois de muito tempo acalentando a ideia de fazer alguma atividade por lá, surge um convite, mais do que bem-vindo, da Livraria Cultura para Mawaca participar de uma feira literária fluvial pelo Rio Negro  com autores muito legais como a Mary del Priore, o escritor angolano Eduardo Agualusa, , Laurentino Gomes,  Cristóvão Tezza, Illan Brenman e Sylvia Guimarães

Honra total de estar no meio de intelectuais e pessoas interessadas em ouvir o que eles tem para dizer. Com o Mawaca, farei uma apresentação no terceiro dia da expedição com um repertório multicultural numa versão reduzida do grupo, com Gabriel Levy (acordeom, kalimba e percussão), Valéria Zeidan (percussão e voz), Ana Eliza Colomar (flauta, sax e hulusi), Zuzu Abu (voz) e eu.

Farei também uma vivência musical com os interessados, talvez sobre a música indígena com relações com os rupestres ou temas mais abertos como o mundo cigano ou africano. A ver o que interessa mais às pessoas.

http://www.youtube.com/watch?v=tvWSpNbtthY

Domingo pela manhã parto nessa aventura! Ehhhh! Rio Negro, me aguarde!

No Ri Negro, bejo que há ações muito legais sendo feito entre os indígenas de lá como os Tuyuka. Na PUC, quando fiz meu mestrado, eu tive um colega Tuyuka, o Israel, moço ativo e super concentrado nas tradições do povo dele. Quem sabe me encontro com ele por lá.

Há também o povo Baniwa, com quem o ISA tem feito projetos muito bonitos!

Veja materia nesse blog => http://antroposimetrica.blogspot.com/2010/05/escola-tuyuka-no-alto-rio-negro-ensino.html

imagen do rio negro visto do alto

Rio Negro