Turnê Cantos da Floresta com Mawaca

Publicado: fevereiro 8, 2011 em educação musical, mawaca, Musica

Mawaca esteve na Amazonia em agosto de 2011 fazendo um intercâmbio musical com seis diferentes povos indígenas.

O resultado desse projeto encontra-se no documentário http://www.youtube.com/watch?v=4fpZ5PZC6Nc e no blog  que eu escrevi durante a turnê pela Amazônia. http://magdapucci.wix.com/mawaca-cantos-da-floresta2

Recebemos a noticia de que o documentário, realizado pelo Eduardo Pimenta, foi selecionado pelo Womex na Mostra de Filmes de World Music e será exibido em Thessaloniki em outubro de 2012. http://womex.com/realwomex/main.php?id_headings=153&id_realwomex=14&subheading=191

Frutos sendo colhidos dessa empreitada nada fácil mas transformada em nossas vidas!

Segue aqui mais informações sobre o projeto.

O projeto “Mawaca – Cantos da floresta” prevê 6 apresentações e 6 oficinas musicais do grupo Mawaca com Marlui Miranda nas cidades de Porto Velho, Cacoal e Ji-Paraná em Rondônia; Manaus e Manacapuru no Amazonas e Rio Branco no Acre.

Tanto as apresentações como as oficinas contarão com a presença de grupos indígenas já contatados anteriormente, que terão suas músicas interpretadas como os Paitér-Suruí, Ikolén-Gavião, Zoró e Karitiana (RO), Kambeba e Comunidade Bayaroá (AM), Kaxinawá (AC)

Ao apresentar nas cidades  proximas as aldeias dos povos acima citados, onde o acesso cultural é mais difícil, será possível mostrar às pessoas dessas cidades, a riqueza musical desses povos indígenas.

OBJETIVOS

  • realizar 6 shows nas cidades de Porto Velho, Cacoal e Ji-Paraná em Rondônia; Manaus e Manacapuru no Amazonas e Rio Branco no Acre no segundo semestre de 2011;
  • realizar 6 oficinas culturais para a população de baixa renda nas cidades de Porto Velho, Cacoal e Ji-Paraná em Rondônia; Manaus e Manacapuru no Amazonas e Rio Branco no Acre no primeiro semestre de 2011;
  • produzir um documentário com as imagens e depoimentos das pessoas que participaram do projeto que será disponibilizado na internet;
  • levar a diversidade musical e cultural dos povos indígenas para um público que tem os índigenas vivendo próximos, mas pouco valorizam suas manifestações culturais;
  • incentivar a tolerância e o respeito pelos povos indígenas vistos, ainda hoje, com certo preconceito;
  • envolver os habitantes dessas cidades na preservação ambiental estimulando o convívio com as práticas culturais indígenas;
  • conscientizar o público da importância das culturas imateriais dos povos indígenas daquelas regiões;
  • garantir o registro desses encontros para serem vistos por um grande numero de pessoas pela rede virtual;
  • atender ao público carente de produções culturais em municípios de baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) localizados fora do circuito Rio-SP;
  • envolver os indígenas nos shows e oficinas de forma a colocá-los numa posição igualitária e que possa se criar um diálogo entre os habitantes das cidades e os indígenas;
  • com a cultura é possível desenvolver um encantamento através da estética, isto é,  por aquilo que se considera bonito. Ao apresentarmos um show com os indígenas e mostrarmos como eles tem uma cultura bonita, parte da população começarão a ter orgulho da existência desses grupos ao invés de rechaçá-los.

JUSTIFICATIVA

Percebendo a carência de projetos culturais na região Norte, principalmente em Rondônia, região que tenho visitado com certa frequência, organizei esse projeto com o objetivo de envolver os povos indígenas nas ações culturais das cidades próximas as aldeias onde eles vivem.

O Mawaca tem recebido vários convites para se apresentar nesses estados mas infelizmente, nunca é possível concretizar as viagens por falta de subsídios financeiros, pois as cidades não têm recursos para bancar os custos de um grupo grande como o Mawaca.

Nosso trabalho se expandiu e hoje já abarca, com bastante propriedade, a diversidade indígena que é pouco conhecida pela população em geral, mas principalmente por quem vive mais próximo delas.

Percebendo isso, me propus a desenvolver com o apoio dos índios, um trabalho mais intenso de divulgação das culturas imateriais deles. Tenho trabalhado com acervos orais de alguns povos como os Paitér-Suruí de Rondônia e recentemente iniciei a organização de um projeto com os povos do Guaporé ao lado de Betty Mindlin e Marlui Miranda. O projeto visa catalogar todo o repertório lítero-musical desses povos assim como organizar encontros, oficinas e shows com eles para que possamos divulgar melhor suas músicas e rituais, criando vinculos culturais com os não-índios. Assim, meu contato vai se intensificando com esses povos indígenas, o que me possibilitou conhecer melhor as demandas internas deles. E uma reclamação constante deles é a falta de diálogo com as pessoas que vivem nas cidades e falta de suporte para suas ações culturais. Nessas cidades, os índios são considerados um entrave ao desenvolvimento econômico do país e muitos querem que eles saiam da área para poder desmatar mais e mais. No entanto, acredito, que se mostrarmos a beleza da cultura desses povos, e não apenas a violência ocasionada pelas brigas eternas pela demarcação de terras mostrada na TV, creio que poderemos contribuir, mesmo que minimamente, para que esse grupos indígenas sejam vistos de uma outra forma; com menos preconceito e com um mínimo de respeito. Percebo que os indígenas querem criar vínculos com a sociedade, mas são muitas vezes impedidos por conta das dificuldades da língua e pela barreira econômica. Há, realmente, um grande preconceito dos habitantes dessas cidades próximas às aldeias em relação aos seus vizinhos e primeiros habitantes. E por essa razão,  criei esse projeto com o Mawaca, que aliado à Marlui Miranda, grande conhecedora desses povos, com o intuito de  ampliar a divulgação dessa música, em áreas de pouco acesso cultural, e mostrar que há, sim, uma riqueza cultural a ser preservada e conhecida por mais gente.

Segundo Marlui Miranda, “a  construção a partir do trabalho de artistas e criadores, aliados dos povos indígenas, apoiados por antropólogos e lingüistas tem sido lenta mas progressiva. Há uma intensificação de redes de encontros intertribais, acesso à internet em suas associações, apresentações musicais e oficinas em escolas e centros culturais para os  quais os indígenas se deslocam desde suas aldeias muito longínquas, para mostrar sua cultura. Esse trabalho educativo semeou espaço e esclareceu melhor o público sobre a cultura indígena no Brasil. Esses fluxos de artistas indígenas, embaixadores de suas culturas originais, criaram aos poucos uma rede de relacionamentos com artistas urbanos, obtendo resultados muito positivos, tendo como uma das conseqüências o interesse pelo estudo de sua música. O trabalho do Mawaca vem mais uma vez marcar presença consistente no panorama da música no Brasil com sua interpretação vocal marcante, incluindo em seu repertório multicultural a temática indígena brasileira. Mais um artista que se une nessa empreitada rara e difícil”.

Mas sabemos que há muito o que fazer ainda, pois o preconceito e o desconhecimento sobre essa música ainda é grande e a divulgação nos meios televisivos é quase sempre equivocada com raríssimas exceções.

Considero importante apresentar espetáculos para platéias onde a presença indígena é geograficamente próxima, mas rara no meio artístico, pois se mostrada de forma adequada, se incentivará a convivência entre os povos indígenas e os cidadãos brasileiros. Seria uma maneira de mostrar aos habitantes dessas cidades, a riqueza cultural desses povos que vivem à margem da sociedade. A escolha das cidades se deve à proximidade delas com as terras indígenas onde vivem povos que nem sempre tem uma relação amistosa com os habitantes da cidade. O que se propõe é reestabelecer um relação amigável e saudável entre eles. Também se torna fundamental instigar a consciência sobre a importância da cultura desses povos antigos que viviam de forma plena, que tinham rituais de grande força simbólica.

Acontece que essa música indígena, às vezes de um tempo muito remoto, muito diferente do que costumamos chamar de música, parece viver num outro mundo. Ainda são poucos os que se dedicam a ela, a ouvi-la com atenção e a dialogar, criando interpretações que cheguem a muitos. Eu diria que essa música é antiga, bem antiga mesmo, ancestral. Forte, transpôs séculos de adversidades. São matrizes nossas, embora muitos não se identifiquem com elas. Essa distância parece enraizada numa imagem equivocada sobre os habitantes destas terras, construída com a chegada dos europeus, suas armas e suas leis. É inacreditável que haja quem vê os índios como entrave ao desenvolvimento econômico do país ou como usurpadores de terras de que precisamos para produzir, produzir, produzir.

É certo que o tempo-índio é outro tempo, desacelerado, mais contemplativo, embora não necessariamente mais sereno. Acontece que vivemos aflitos demais, querendo respostas, resultados, produtos, como se os processos e os percursos fossem secundários. Ainda mais no universo da cultura! Como cidadã, sei que minhas possibilidades para mudar essa situação são limitadas. Mas, para não me ver de mãos atadas, é no meu métier que encaro esse desafio, com a música, num projeto como este que será apenas mais um, mas é um que fala do Brasil profundo, desse Brasil pouco conhecido – e de uma riqueza sem par!


ROTEIRO

1. Porto Velho(RO)

Show: Teatro Banzeiros ou Teatro Municipal de Porto Velho

Oficina: Fundação Municipal de Cultura Iaripuna

Parceria: Fundação Municipal de Cultura Iaripuna
2.  Ji-Parana

Show: Teatro Dominguinhos

Oficina: Escola de Música Walter Bártolo

Parceria: SEDUC de Ji-Paraná
3. Cacoal

Show: Teatro Municipal de Cacoal (Cacilda Becker)

Oficina: Centro Cultural de Cacoal

Parceria: Secretaria da Cultura de Cacoal
5. Rio Branco (AC)

Show: Teatro Plácido de Castro

Oficina: Usina das Artes São João Donato

Parceria: Usina das Artes São João Donato e Secretaria da Cidadania e Assistência Social
6. Manaus (AM)

Show: Teatro-Oficina Cleonice Alves de Freitas (SESC)

Oficina: Casa Ivete Ibiapina (Casa da Música) ou Centro de Artes

Parceria: SESC Manaus e Casa da Música
7. Manacapuru

Show: Parque do Ingá Cirandródomo

Oficina: Casa da Cultura de Manacapuru

Parceira: Secretaria Municipal de Turismo

OFICINAS MUSICAIS

As oficinas serão realizadas em espaços comunitários indígenas com o intuito de possibilitar uma troca cultural entre os índios e os músicos do grupo Mawaca que vem desenvolvendo um repertório indígena há cinco anos sob a coordenação de Magda Pucci, antropóloga e musicista. A ideia é desenvolver, junto aos índios Ikolén-Gavião, Tupari, Sateré-Mawé, Kaxinawá, propostas de musicalização para as crianças indígenas utilizando gravações de canções tradicionais feitas pelos índios mais velhos – documentos sonoros que servirão para revitalizar a cultura indígena, um tanto marginalizada.

Serão desenvolvidas várias atividades lúdicas com as crianças e um trabalho de formação musical com os professores indígenas para que possam aproveitar o máximo o material dos acervos sonoros de Betty Mindlin, responsável pelas gravações de mitos e canções desses povos.

Trata-se de uma ampliação do trabalho que Magda vem fazendo com os Paiter Suruí de Rondônia (Cacoal).  Magda Pucci catalogou e organizou o Acervo Arampiã contendo mais de 400 gravações dentre narrativas e cantigas tradicionais e modernas dos índios de Rondônia gravadas pela antropóloga Betty Mindlin desde os anos 70, 80 e 90. O processo de catalogação, organização e reutilização desse material pelos próprios indígenas foi reportado na tese de mestrado pela PUC-SP “A Arte Oral dos Paiter Suruí de Rondônia” em Antropologia sob orientação da Dra. Carmen Junqueira.

Cada grupo receberá um atendimento diferente, pois as necessidades são diversas assim como os graus de dificuldade e envolvimento.

O resultado desse projeto encontra-se no documentário http://www.youtube.com/watch?v=4fpZ5PZC6Nc e no blog  que eu escrevi durante a turnê pela Amazônia. http://magdapucci.wix.com/mawaca-cantos-da-floresta2

Recebemos a noticia de que o documentário, realizado pelo Eduardo Pimenta, foi selecionado pelo Womex na Mostra de Filmes de World Music e será exibido em Thessaloniki em outubro de 2012. http://womex.com/realwomex/main.php?id_headings=153&id_realwomex=14&subheading=191

Frutos sendo colhidos dessa empreitada nada fácil mas transformada em nossas vidas!

Anúncios
comentários
  1. Comentários sobre essa viagem estão no site do wix http://www.wix.com/magdapucci/mawaca-cantos-da-floresta2 onde tenho escrito diariamente as novidades das oficinas e dos shows.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s