a vida acadêmica sob um outro olhar

Publicado: fevereiro 8, 2011 em Musica, Uncategorized

Nunca imaginei que um dia eu estaria dando aulas em uma faculdade.  Sempre achei o mundo acadêmico meio sem graça e por essa razão, nunca fui atraída pelo mundo universitário, embora adore estudar, pesquisar e tudo mais, mas o ranço dos academicismos me afastavam da vida universitária. Fiz Música na ECA e ali via um monte de professores sem vida musical ativa, críticos azedos e mal -amados pela Música.  O  que se diz muito é que músicos frustrados viram professores! E assim, a vida acadêmica foi postergada ad infinitum até que um belo dia, depois de observar que muita gente desprezava minha faceta “pesquisadora auto-didata”  eu decidi me embrenhar no mundo das dissertações indo fazer Pós-Graduação em Antropologia na PUC. Sob orientação informal da minha amiga Betty Mindlin, ela me incentivou a dar um estofo mais sério aos estudos de música indígena que eu iniciara há uns 7 anos atrás. E não é que eu gostei? A Antropologia, graças aos deuses todos, tem lá seus parentescos com a música, principalmente no tipo de música que eu gosto de pesquisar. Então, foi uma mão na roda estudar Antropologia ainda mais com a orientação da CArmen Junqueira que é considerada uma das maiores antropólogas brasileiras. Bom, lá fui eu dedicar alguns anos da minha vida á vida musical dos indigenas daqui dessa Brasilzão… lá longe, em Rondônia, terra de ninguém, forasteiros que chegam, exploram e desaparecem pelas estradas esburacadas….

E ao mesmo tempo que eu me fascinava pelos estudos sobre o homem, sobre como ele pensa, como se articula socialmente, como produz os simbolos todos, ia me decepcionando também com a vagareza das ações políticas de governo que entra e sai…. Devo dizer que sai um tanto cansada de escrever uma dissertação de mais de 300 páginas, ainda que desordenada, cheia de idéias para projetos futuros. Com os Paiter Suruí, aprendi que somos diferentes mesmo. Que não pensavamos igual e que nunca seremos iguais a eles, nem eles a nós. O hiato era tremendo e ainda será eternamente. Não há “integração” possível como já dizia os irmãos Villas-Boas.

Mas ainda assim, o mundo das pesquisas sonoras me cativava e mesmo tendo me dedicado tanto tempo á Antropologia (e pouco à música) eu vi que eu até levava jeito para dar aulas, explicar coisas, montar power points para dar aulas e explicar o que eu pensava. Isso era muito bom porque me ajudava a colocar as idéias em ordem. Assim, me animei a dar continuidade aos estudos academicos a ponto de ir para a Holanda fazer meu Doutorado (lá chamado de Phd) em Musicologia Cultural, nova terminologia para a área da Etnomusicologia.

Com o incentivo do prof. Wim van der Meer,  passei 3 meses em Amsterdam, fazendo algumas disciplinas que me ajudaram a entender melhor como funciona o mundo acadêmico da música DE VERDADE. Aqui no Brasil, as coisas são bem diferentes e muito devagar. Lá se estuda de verdade! Eu lia em média umas 500 páginas em ingles de textos para serem discutidos em sala de aula. O nível de informação era altamente elevado comparado com o que eu via aqui no Brasil, onde a área de Etnomusicologia engatinha…

Um dos meus professores na UvA  é compositor também e mantém uma produção musical extensa, participando de vários projetos. Vi que era possível combinar as duas atividades: a criativa com a investigativa. E agora me ofereceram para fazer um PhD artístico em Leiden, que implica numa dissertação mais light que será somada á um trabalho musical criativo prático! Lindo, não?

Bueno, fico feliz com essa possibilidade e agora mais do que nunca,  vejo que a universidade não é um bicho-de-sete-cabeças e sim um espaço para a reflexão e para a prática também.

Nesse caminho, segue a Faculdade Anhembi-Morumbi que se destaca não pelos cursos acadêmicos pesados e sim por aliar a teoria com a prática de forma criativa. Não sei se isso é só marketing, mas vejo que pela grade de aulas que me ofereceram que isso pode realmente ser verdade. Mais do que ensinar música nos moldes antigos, eles querem que o aluno saia dali com a possibilidade real de vir a ser um profissional da música, sabendo como se auto-produzir,  se auto-gerenciar, criar seu próprio espaço e se colocar profissionalmente com todas as ferramentas possiveis, coisa que NUNCA aprendi na USP, onde parecíamos viver numa torre de mármore da  chamada ” música erudita”.

Ah, será que nesse novo ambiente, poderei colocar a prova de que é possível ser um professor universitário legal, que sabe botar a mão na massa?

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