Arquivo de janeiro, 2011

Como é dificil viajar com o Mawaca pelo Brasil!! Mas aos poucos, estamos conseguindo transpor algumas fronteiras… O Mawaca depois de 15 anos, vai tocar em João Pessoa, na Paraiba. Por que? Porque agora JP tem um música na direção do Funjope (Fundação Cultural da cidade) e recentemente nomeado Secretario da Cultura CHICO CÉSAR!

Ainda bem que músicos na politica tem possibilitado abrir espaço para outras coisas além de pagode, axé e forró… coisa que o Nordeste tem o maior orgulho mas que vai empobrecendo as possibilidades culturais de um lugar… Chega de monocultura. Semana passada, rolou André Abujamra, esta semana Mawaca e a cantora galega Uxia com abertura de shows de artistas locais, o que é bem bacana. E para fechar com chave de outro, Maria Bethania e Manu Chao.  Outro nível, né??

Depois do show, eu vou postar as impressões sobre o show no Ponto dos Cem Réis no centro de João Pessoa. Espero que  o publico de lá goste de Mawaca assim como o pessoal daqui do Sudeste

 

 

 

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Participei da oficina do musico e professor de música de Gana Kofi Gbolonyo, que fez um trabalho lindíssimo com os professores que participaram do curso Orff aqui em São Paulo no Colegio Santo Americo.

Kofi nos faz sentir todos aqueles ritmos complicados no corpo e na voz antes de passar para os instrumentos. No final de três dias intensos, todos dançavam, cantavam, tocavam vários instrumentos temas tradicionais de Gana com muita alegria!

Valeu a experiência! Pena que não pude ir em todos dias porque estava com os ensaios do Mawaca rolando ao mesmo tempo e com os shows. Na próxima, quem sabe ele não toca com Mawaca??

Japão…

Publicado: janeiro 19, 2011 em mawaca, Musica, Uncategorized

Como eu gosto da cultura japonesa! Depois que ganhei um koto, conheci a minha professora Tamie Kitahara e desde então, um universo riquissimo se abriu para mim, a cultura japonesa com sua delicadeza, precisão, lindeza e força.

Depois, com as aulas da Tamie, fui conhecendo mais de perto as canções do Min´yo e fui ficando cada vez mais encantada com as melodias singelas emolduradas pelas escalas pentatônicas asiáticas. Entraram Soran Bushi, a divertida canção dos pescadores de Hokkaido, Asadoya Yunta,um canto emocionante de Okinawa, Imayo, um poema antigo do seculo XII, entre tantas outras.

 

 

 

 

 

No show de domingo passado, o Mawaca fez três músicas japonesas de um amplo repertório que fomos desenvolvendo desde 97 quando o Mawaca estava lançando o primeiro CD com a canção Hotaru Koi, com um lindo arranjo de Ro Ogura. E pra criar um clima para essas musicas japonesas, nosso VJ Ricardo Bottini projetou as ilustrações maravilhosas de Erica Mizutani que deram um toque pra lá de especial ao momento japonês do show. Algo realmente que ficará marcado para sempre na nossa carreira!

Ai vão algumas imagens dessa maravilhosa artista, indicado pelo querido Jo Takahashi, colaborador de sempre do Mawaca!

Se você quer conhecer mais sobre o trabalho da Érica, ai vai o link do site dela

http://www.ericamizutani.com.br/

Recolhi alguns comentários que amigos e fãs fizeram sobre o show de 15 anos do Mawaca no SESC Pinheiros no ultimo domingo, dia 16 de janeiro. Sempre bom deixar registrado, não?

Jo Takahashi (Sobre o show Rupestres Sonoros)

Uma obra prima, opinião unânime de quem foi hoje, Magda.

Jo Takahashi (Sobre o show Rupestres Sonoros)

Capa do DVD Rupestres Sonoros do Mawaca lançado no SESC Pinheiros no dia 15 de janeiro

Magda, parabéns. O show tá lindo, uma obra prima!! Um primor essa homenagem aos cantos indígenas. E a todas as tribos do mundo. Todos estão maravilhosos!!! Amanhã vai ser emocionante também!!

Jo Takahashi

Show 15 Anos do Mawaca, foi um estrondoso sucesso! O público explodiu em emoção e encantamento! Parabéns pro Mawaca, por essa energia contagiante, pelo trabalho coerente mas acima de tudo, criativo, vibrante. Obrigado por nos proporcionar um começo de ano assim!

Angelica Leutiwller e Zuzu Abu

Comentário da minha colega @maybi mota: É incrível como a mistura que eles fazem nos mostra de forma sutil, mas clara, que todos estamos ligados pela cultura. Fiquei impressionada com a maneira tão equilibrada de colocar um ritmo da China com o do candomblé, por exemplo.

 

 

 

 

 

 

Show 15 anos de Mawaca no SESC Pinheiros - 16 janeiro 2011

Zeneide Alves

Olá Magda! O que foi aquele show de ontem?? Amei tudo e fiquei tb apaixonada pelas xarás das minhas filhas. No final, vi pessoas se abraçando, agradecendo ao amigo por compartilhar daquele momento. Sensacional! Parabéns!!

Rita Menezes

Excelente trabalho, Magda. É sempre uma alegria assistir ao Mawaca! Parabéns a todos. Parabéns, também, pela pesquisa e dedicação. Belíssimo show! Sou fã!

Fernando Fialho

Parabéns, sucesso, bjs em todos

Daniel Nogueira

Magda, maravilha de show!!!! parabéns e obrigado pelo convite!

Andrea Kaiser

Parabéns Mawacaaaaaa!!!! Belíssimo show! Emocionante!

 

Cris Miguel em Molihua Yemanja

Caio Vilela

Magda, adoramos o show ! Muuuuito além das expectativas! Tanto pra mim que há tempos não via vocês no palco e, quanto pra todo mundo que levei, que estava vendo pela primeira vez.  A primeira música tava de arrepiar ( esqueci o título) ! Curti muito Thula Thula também, e os arranjos nas faixas da Macedonia e do Japão. E aquela música judia-ibérica tb tava maravilhosa. Muitíssimo obrigado pelo convite, fazia tempo que um show de música não me tocava tanto.

Annix Lim

O show do Mawaca ontem foi lindo, obrigada!Arrasem de novo lá hoje!

:***

 

 

 

 

 

Tamie Kitahara no koto com Mawaca no SESC Pinheiros

Rita Menezes

Excelente trabalho, Magda. É sempre uma alegria assistir ao Mawaca! Parabéns a todos. Parabéns, também, pela pesquisa e dedicação. Belíssimo show! Sou fã!

Paulo Klein

Magda, seu trabalho me toca profundamente. Considero-o fundamental para o mundo.

Mais uma vez fiquei magnetizado com sua energia, o espetáculo todo ajustado dentro da proposta, idéia original (e fundamental) e o repertório do ‘Rupestres’ é especialíssimo.

Fabio Ferreira

Estou Profundamente emocionado…..Parabéns!!! Muita luz!!!

Fabio Ferreira

Uma vez fã de Mawaca, pra sempre Mawaca!

Mawaca comemora 15 anos no SESC Pinheiros

Valeria Zeidan

Eu digo e repito que fizemos ontem o melhor “Rupestres Sonoros” desde que iniciamos este projeto! Este show exige muito trabalho por parte da equipe tecnica e musicos, e ontem conseguimos sintonia total! Que felicidade!

Kari Reiman (Varttina – Finlandia)

Have a nice show! I’ll play my rabeca and take part to your party!

 

 

 

Thomas Howard no violão com Mawaca no show de 15 anos

André Medeiros Carvalho

Mawaca não é só música, é também instrumento, diversidade, cultura, pintura, união, dança, fotografia, ritual, maquiagem, sensualidade, sonoridade, figurino, orgulho e, sobretudo, EMOÇÃO!

Joy Mafaro

Realmente, melhor show dos últimos tempos…Adorei a reportagem ótima!

 

Duo de taiko - Daniella e Deborah Shimada

Borba

Realmente Mawaca trouxe o mundo pro Sesc Pinheiros! A viagem foi fantástica!  Parabéns a todos pelo trabalho! Vocês trazem orgulho ao Brasil!

Sabrina Romano

Parabéns a todos! Infelizmente não pudemos ir, mas pensamos muito em vocês. Abs

Katia Matos

Foi uma festança, multicolorida, polifônica, transensacional!!!  Parabéns a todos!!!

É impressionante a diferença entre o nível de jornalismo que se pratica em Portugal  e no Brasil. Acabo de fazer uma entrevista para o jornalista português Luis Rei, do Crônicas da Terra onde isso fica claro.

Ai vai uma parte da entrevista que terá sequencia em breve

http://cronicasdaterra.com/cronicas/category/reportagens/

Feliz da vida!

Publicado: janeiro 18, 2011 em pensar é só pensar

Borboleta de Erica Mizutani

 

Acho que os deuses resolveram me ouvir e atender aos meus insistentes desejos. Sonhos começaram a se concretizar e parece que chegou o momento de colher frutos de tudo o que venho plantando nesses anos todos de Mawaca. A coisa está fervendo! Muitos convites, possibilidades de grandes viagens, projetos conseguindo patrocínio (finalmente!!) e  conexões com o mundo dando certo…

Tínhamos que esperar 15 anos para que as coisas deslanchassem????

 

 

Ontem a noite, sábado 15 de janeiro de 2011, conclui um ciclo que começou em 2005. É o projeto Rupestres Sonoros que desenvolvi com o Mawaca e que, na minha opinião, deu uma super amadurecida no grupo e criou bases para trabalhos mais autorais, com temáticas mais aprofundadas. Antes, eram temas gerais, linhas soltas, agora as coisas começam a se amarrar e ganhar mais consistência. Não que o que fazíamos antes era inconsistente, mas eram ideias que iam surgindo e sendo colocadas no palco aos poucos, íamos incorporando novas músicas no repertório, tirávamos uma e substituíamos por outra, enfim… os shows iam sendo mexidos a cada “demanda do contratante”, mas Rupestres é diferente. Tem uma proposta clara e bem definida e é isso que oferecemos quando queremos falar de Brasil conectado ao mundo.

É importante lembrar que muita gente dizia que Mawaca NÃO fazia música brasileira, por isso, não poderia ser colocado em projetos brasileiros, tipo festivais que se fazem por ai afora. Sempre éramos colocados de lado, por não sermos MPB ou música autoral…Mas essa nunca foi nossa praia, e nunca será, mas nem por isso deixamos de fazer música brasileira em todos os shows, mas mescladas, sim, com outros elementos, fundindo com outros temas, mixando com ritmos e melodias daqui e dacolá.

Mas nem todos conseguiam captar a mensagem. Houve uma certa resistência porque o Mawaca dos shows Pra todo canto e de Inquilinos do Mundo (repertório balcânico) era muito envolvente, animado, dançante e era isso que as pessoas queriam ver. Índios, argh!!! era coisa meio chata… Mas agora, com Rupestres, mais brasileiros, impossível! Fomos ao Brasil das profundezas dos rupestres, quando o sertão era mar  como foi no Piaui na Serra da Capivara.  Mas dai, tem gente que torce o nariz para a música indígena, diz que é chata, sempre igual, repetitiva, monótona… E então fui lá checar, ver se isso era verdade mesmo… E não é que descobri uma mega diversidade sonora? Estruturas diferentes, sonoridades variadíssimas,  escalas e harmonias estranhas à nossa MPB tão tonal por conta da influencia portuguesa. Explorei isso ao máximo. Fui a fundo em retirar a harmonia tonal desse show, pensar a palavra como o detonador das melodias, os sons dos nomes dos povos indígenas apresentavam uma sonoridade e rítmica tão interessante, tão rica, tão própria… o caminho seria por ai. E mesmo com uma certa resistência das cantoras e instrumentistas do grupo, fui levando o projeto meio na paralela enquanto rolava outro show, o Inquilinos do Mundo e o Pra todo canto. Mas o Rupestres ficava sempre ali, do meu lado, esperando a hora de ser colocado em prática. Fizemos poucos shows experimentais com o repertório indígena como no Moitará dos junguianos em São José dos Campos, na abertura da exposição de bancos indígenas do Museu da Casa Brasileira, no Popkomm na Alemanha (um show sofrível por conta de problemas técnicos e espaço inadequado), entre outros. Mas tudo ainda incipiente, com ideias sendo alinhavadas em tempo real, pouco tempo de ensaio. Mas eis que decidi entregar esse material nas mãos do Xuxa Levy, irmão do acordeonista da banda, Gabriel Levy. Os dois são opostos esteticamente falando. E Xuxa imprimiu um conceito eletrônico sobre os meus arranjos acústicos que deram uma sonoridade contemporânea, ao mesmo tempo que trazia sons de máquina de escrever, de garrafas, de latas, enfim, tecnologia aliada à uma certa rusticidade… era o que eu achava que tinha que ser. Apesar dos protestos de alguns fãs por conta de alguns deslizes em shows com som excessivamente alto (com subwoofer que eu odeio…) fomos alinhavando melhor as ideias, e aos poucos, fui forjando um roteiro que fizesse sentido com a ideia dos rupestres surgida lá no Moitará.  A coisa toda evoluiu e ontem a noite,  no palco do SESC Pinheiros, eu tive a felicidade de ver nascer o novo filhote do Mawaca, o novo DVD Rupestres Sonoros que agora tem registro e existe DE VERDADE. Para mim, enquanto não gravo ou filmo, parece que o ciclo não se fechou… importante isso de deixar registrado, né? Acho fundamental!

Então, Rupestres Sonoros está ai em versão CD e DVD para todos se encantarem, se emocionarem com os cantos indígenas daqui do Brasil. É um momento de encontros com esses povos que pouco conhecemos e que nem mesmo sabemos os nomes. Então, fica aqui registrada a minha alegria de ver esse ciclo concluído.

Aqui vai uma das musicas que eu mais gosto desse show: Tamota Moriorê, tema dos indíos Txucarramãe do Xingu fusionada com uma cantiga japonesa. http://www.youtube.com/watch?v=tvWSpNbtthY