projetos e mais projetos….

Publicado: agosto 3, 2010 em mawaca, pensar é só pensar

Faz três semanas que estou metida em  projetos para editais, em meio a muitos orçamentos e tentando justificar porque quero fazer tal e tal projeto…. Vivemos a era dos editais. Um avanço por um lado, porque abrem-se alternativas , mas há um cerceamento da liberdade artística… os projetos, para serem aprovados, tem que ter um viés  bem´nacional´, que resgatem as tradições brasileiras, que estejam conectados com as raízes regionais etc, etc.

Sinceramente, tenho medo disso. É uma tentativa de fortalecer  coisas daqui, mas acho que nem tudo precisa ter esse viés brasileiro  que beira o nacionalismo, porquê nacionalismo rima com nazismo, fascismo, e tantos ismos desagradáveis e temerosos…

Escrever tecnicamente sobre o que se vai criar é extremamente complicado. Arte não se faz assim, planejando passo a passo o que acontecerá. A arte deve fluir. Tem um ir e vir mais solto, que quando aprisionado em editais pode se sufocar.

Se analisarmos os projetos aprovados em editais, muitos deles parecem chapa branca, sem atrativos, corretos politicamente falando, mas insossos. Ou então são patrocinados  artistas que não precisam desse suporte, como Marisa Monte,  Lenine, Vanessa da Mata que já tem seus CDs bancados por gravadoras multinacionais. Pois é, vivemos também a era das contradições, pois o governo ,ao buscar o politicamente correto, estimula a criação de espaço para que os já consagrados consigam recursos para seus Cds e DVDs.

Meu trabalho não é nem de cultura popular, que hoje tem tido um grande apoio desses editais, principalmente os que estão fincados em locais de poucos recursos. Também não é música erudita que teria 100% de isenção de imposto de renda pela velha Lei Rouanet.  Também não tem o apelo pop de uma banda de rock que garanta uma sobrevivência pelo caminho das paradas de sucesso, que toca nas rádios todos os dias por conta de muito jabá pago pelas gravadoras.

Me sinto num limbo, num vazio conceitual, pois não consigo encaixar a proposta do Mawaca em nenhuma das instâncias que se apresentam por ai.

Envio projetos para conseguir patrocínios desde o início do Mawaca, mais precisamente, 15 anos. Consegui uma única vez pelo Secretaria do Estado, a LINC, para produzir o primeiro CD do Mawaca. Um milagre. Naquele momento, não era necessário bater na porta das empresas para captar nada. Conseguiamos uma verba pequena pelo simples mérito cultural. Tivemos sorte de ter gente na banca que gostava do nosso trabalho e nos aprovou. Gente que nem sei quem é, porque nunca tive grandes contatos influentes. Deu certo uma vez e nunca mais.

Será que um dia conseguirei furar o cerco e ser agraciada por um desses editais ?

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s