sobre as criticas de cds de world music

Publicado: janeiro 30, 2007 em Musica

Quando leio criticas sobre CDs de World Music na imprensa brasileira, fico morrendo de tristeza. É realmente incrível como esse gênero é tão mal compreendido! Os jornalistas comentam com tamanho desdém quando observam elementos ” étnicos”  na música de alguém. Mencionam isso com ironia como se isso diminuisse o valor da obra do artista, ou então só mencionam a pesquisa e esquecem de comentar o trabalho realizado SOBRE a música.  Observo que a critica européia melhorou muito, antes ficava presa a estereótipos e não queria saber de nada mais contemporâneo. Hoje, já conseguem dosar com sabedoria os elementos que compõem (naturalmente) a world music, sem ficar policiando se tem isso ou aquilo. Há um maior grau de liberdade, sem duvida. Mas aqui, a coisa anda a passos de tartaruga.  Um dia desses, li na Rolling Stone um box falando sobre os CDs da Six Degrees e o tom da critica era de matar…critica miuda, sem conhecimento de causa. Falando por falar. Concordo que a world music tem produzido muita coisa ruim, assim como em qualquer  gênero, seja ele pop, no rock, ou MPB, mas nao se pode falar de forma tão geralizante assim, sem conhecer os meandros da cena… NUNCA no Brasil consegui ler uma critica bem escrita com bom conteúdo de qualquer CD de world music… Do Mawaca, então, nunca saiu nada muito digno de nota. Alguém já viu?

 Pensanso nisso, escrevi um texto para um seminario na PUC que falava sobre o papel da World Music na musica atual. Está lá nos meus textos, pra quem quiser ler a respeito.

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comentários
  1. Cyran Costa disse:

    Oi Magda,

    Realmente, não só na área da imprensa brasileira tal fato (críticas superficiais)acontece. A falta de um juízo crítico que vá além dos comentários acerca dos elementos “exóticos” de tal ou qual música, também se observa nos centros acadêmicos que, na maioria das vezes (sem querer generalizar), estão cristalizados em suas próprias convicções mesquinhas e se recusam a olhar a música de uma forma mais abrangente, e porque não dizer democrática.
    Para que se ultrapasse, algum dia, este patamar crítico epidérmico ou esta ‘visão autoritária’, seria necessário primeiro que o autor da crítica se transformasse em seu próprio objeto criticado.
    Não sei, talvez a imprensa não cumpra mais este papel de apresentar à sociedade uma reflexão das coisas que, por sua intrínseca qualidade (ou não), estão acontecendo no mundo (nesse caso a música) e que deveriam ser pelo menos respeitadas e consideradas dignas de uma crítica mais profunda. No entanto, me parece que a imprensa tem cumprido, com muito charme, pra não dizer descortesia, o papel de apenas colocar um “produto a mais” em mais uma prateleira de vendas.

    Vou dar olhada lá no seu texto do seminário da PUC.

    Ps: Críticas e comentários mais dignos de nota acerca do Mawaca, só de “boca a boca”.

    Até.

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