SOBRE O PERFIL DO PÚBLICO DO MAWACA – jan. 07

Publicado: janeiro 15, 2007 em Musica, textos

Uma vez me perguntaram sobre o público do Mawaca e eu fiquei pensando muito, tentando achar um perfil especifico. Não há um único, porque ele é bem variado. Acho que há mais gente que pertence à classe média, creio eu. Escrevo me baseando no que ouço e vejo e observo nas sessões de autógrafos depois dos shows e no Orkut onde Mawaca tem uma comunidade. Quanto aos jovens, admiradores do Mawaca, são, na sua maioria, estudantes universitários, antenados com o que acontece no mundo, meio hippies no jeito de se vestir, mas não têm a cabeça dos anos 70, não. Talvez sejam, mesmo sem saber, os neo-hippies que seguem a “filosofia” do Mano Chao porque odeiam a globalização. É o que eu chamo de “no-logo generation”. Então, não é jovem de pique “Paz e Amor, bicho”. São mais conscientes politicamente e mais à esquerda, ideologicamente. O que eles curtem no Mawaca? Acho que é a idéia das “tramas étnicas” (termo que eu inventei para falar dessas conexões que rolam entre as músicas de diferentes lugares) e de poder ouvir um pouquinho de cada parte do mundo num único show com temas amarrados de uma forma que faz sentido na cabeça deles. Já perguntei se eles não prefeririam um show com uma temática mais específica (com musica de um único lugar), mas eles insistem em dizer que o barato do Mawaca é a diversidade musical, os ritmos e sons de lugares bem outros. E ai eu me pergunto, seria Mawaca criando uma utopia no palco? Acho que, às vezes, acho que é isso que atrai o nosso público, isto é, uma possibilidade do irreal, de reunir idéias, que na “vida real”, jamais seriam realizadas, como por exemplo, uma canção cantada em árabe e hebraico! Ainda falando de Paz (Salam/Shalom!) rssss). Mas tem aqueles que curtem mais o lance musical, mesmo. Agora, por exemplo, um fã abriu um item no fórum no Orkut para falar sobre os arranjos, os ritmos e conduções harmônicas das músicas do Mawaca. Tem também gente de mais idade, como por exemplo, senhorinhas japonesas que vão sempre aos shows porque gostam e ouvir as canções japonesas que tocamos (acho que deve pintar uma espécie de nostalgia). Têm também senhores judeus cultos que amam os temas hebraicos (e adoram elogiar nossa pronúncia). Há também professores de História, Geografia, Letras e também gente ligada à Educação Musical (alguns deles me disseram que usam os CDs do Mawaca em sala de aula, para introduzir alguns assuntos, trabalhar algum tema especifico etc.) Há uma parcela de intelectuais como os escritores (Milton Hatoum, Heloisa Prieto e Ariano Suassuna que curtem Mawaca); filósofos como a Márcia Tiburi além de psicanalistas (junguianos, principalmente) como o Roberto Gambini, o Carlos Byngton e o Marcos Callia. Há conservadores como Suassuna (que irritou o Antonio Abujamra de tanto nos elogiar num show que fizemos em Salvador recentemente), assim como progressistas articulados como a Carmen Junqueira, antropóloga ativista a mais não poder. Carmen, agora é minha orientadora na PUC e por influência da Betty, virou fã de carteirinha do Mawaca e agora vive levando alunos e amigos para assistir os nossos shows. Tem também, a Betty Mindlin que sempre foi fã do Mawaca. Betty levou o pai dela no show da gravação do DVD e ele ficou encantado e nos chamou de “bruxas” (risos). Isso esta gravado no documentário do DVD Mawaca pra todo canto. Há também alguns músicos que curtem Mawaca! e de A à Z. Vai desde o assistente do Neschling, os maestros José Mauricio Galindo, o Emiliano Patarra, o Guga Petri até Carlos Malta do Pife Muderno, Chico César, Mehmari, Célio Barros, Paulo Beto e Tom Zé (que se entusiasmou com o nosso DVD e quer a todo custo, convencer o agente dele na Europa a levar Mawaca para lá). O que posso dizer, com certeza, é que raramente atingimos a classe alta, aliás, nesse mundo “socialite” poucos sabem que o Mawaca existe (seria essa uma característica dessa classe abastada não se interessar pelo “outro”?) Mas em compensação, no ano passado, fizemos um show no Centro Cultural São Paulo e a faxineira, que limpa o teatro, veio falar comigo depois do show e me contou que decidiu ficar para assistir o show (o que é raro), porque ouviu a passagem de som e ficou encantada. Nunca tinha visto algo parecido. Ela estava animadíssima com um brilho nos olhos. Tocamos no Recbeat durante o Carnaval do ano passado e a moçada estava tão animada que acabou abrindo uma roda no meio da multidão para dançar a Ciranda Indiana. Fizemos show em Diadema com um público que urrava (parecia show de rock!) e outro na favela Monte Azul que foi um sucesso total com descendentes de japoneses dançando Soran Bushi de Hokkaido. Então como dá para perceber, fica difícil definir um único perfil do publico do Mawaca. É beeeem multifacetado. E quando paro pra pensar nesse público tão diversificado, eu fico pensando como é que o Mawaca comunica algo, mesmo cantando em mais de 10 línguas diferentes?

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comentários
  1. Annix disse:

    Oi Magda! Pô, como é que vc tem um blog e não avisa? hahaha
    Muito bons os textos. E sobre o Grammy Latino, inscreve sim. Apesar de não concordar com esse tipo de “premiação”, é importante pra divulgação. Beijo

  2. Heloisa Tomonari disse:

    Olá Magda
    Uma vez encontrei em uma destas lojinhas exotéricas um cd de músicas sagradas egípcias, fiquei alucinada, (pena que fui assaltada, e levaram todos os cd’s). Quando conheci Mawaca, não parava de pensar quanta conexão havia naquele som e vocês. O cd se chamava Kabash, com muito tambor e mantras, vale a pena acrescentar algo do gênero nos próximos trabalhos. A galera vai curtir!!!!!!!!!

  3. helô disse:

    Magda,
    adorei seu texto, sou fã desde os tempos de antanho, né?
    bjs

  4. David Milsted disse:

    Magda, seu comentário foi incrível. Comprei um cd intitulado A Música do Japão, da Azul Music.

    Quando vi a palavra Mawaca, pensei logo que fosse uma banda estrangeira, obviamente japonesa. Mas ao ler seu comentário, meu gosto pela banda que já era um tanto grande devido à qualidade sonora aumentou muito. Sou músico e achei fantástico essa característica do Mawaca, uma pena que aqui, em Curitiba-PR, essa banda não seja nem um pouco comentada. Eu nunca ouvi falar, mas ainda assim minha apreciação por esse grupo é fantástica.

    Na verdade, quando procurei Mawaca, queria a letra da música Soran Bushi e Hotaru Koi, e assim vim parar nesse seu comentário. Pena que não achei a música ainda.

    Se você ou outra pessoa puder me enviar, agradeço mesmo:

    drmostarda@gmail.com

    Muito obrigado a todos!

    Abraços

  5. Fabricio disse:

    oi, queria so da um toque pra você que tem show do mawaca do dia 4 até o dia 6 de abril no auditório ibirapuera, varios e varios convidados especiais vai ser bem legal, você que gosta!
    Parabens pelo blog, se você não puder ir no show, eu te mando o link com os videos no youtube, vou gravar alguma coisa !
    Até

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