A(s) música(s) que v(ê)m da(s) rua(s)

Publicado: dezembro 23, 2006 em Musica, pesquisas

esse é um pequeno trecho de um texto que escrevi a pedido do Paulo Klein para um zine que ele estava pensando em publicar. acho que ele nao publicou, porque nao tive mais noticias sobre isso… talvez nao tenha gostado do texto? talvez nao tenha publicado mesmo… enfim, desde que escrevi o texto, fiquei mais ligada no assunto, porque é intrigante, é estimulante ver com a rua se manifesta.

Escrevi o texto logo que voltei de Berlim onde pude ver de perto partes do muro pichado com historias de todo o mundo. a rua fala? fala!!!

 Abaixo, transcrevo parte do texto que mais me interessa na discussao: a inversao dos pólos…a musica nao serve apenas à classe que a produz mas legitima aquele que nao pertence a ela… um ciclo que tem dado voltas e voltas e nos faz pensar…

 

A(s) música(s) que v(ê)m da(s) rua(s)

 

trecho de texto nao publicado _ magda pucci – set.2006

(…) Hoje há um aspecto peculiar a ser considerado: o folclore se elitizou, isto é, muitos estudantes universitários e intelectuais é que se ocupam de registrar e dar espaço a essas manifestações; e a música “clássica”, antes considerada pertencente apenas à classe dominante, agora envolve jovens de favelas em projetos de ONGs. A MPB, cuja sigla carrega o termo “popular”, já virou “música culta”, tendo em vista que vende bem menos do que vendia antes (já que o parâmetro de popularidade é o número de vezes que toca no rádio e/ou aparece na TV e/ou a quantidade de cópias vendidas).

O sertanejo e o pagode, que já foram considerados gêneros da periferia (leia-se de fora do centro) tempos atrás, deixaram de ser apenas música de e para as classes menos favorecidas e agora circulam nas classes média e alta de qualquer cidade do país. A música sertaneja, que teve raiz na moda de viola caipira, do interior, que fala com o r puxaaaado, é uma música de rua, veio das estradas do mundo rural. O pagode vem do bar daquela viela torta do morro carioca. Ambos foram gerados na periferia e agora rendem alguns bons milhões no mercado fonográfico central, portanto são o mainstream!

O mesmo fenômeno está acontecendo com o hip hop, que inclui o rap, o break, o grafite e o beatbox, expressões que dão cara aos movimentos de uma perifa que vive uma espécie de universo paralelo, numa rua calcada nas mazelas sociais e na violência constante. Antes à margem da indústria cultural, o hip hop também vive agora sua transformação em produto de consumo maciço, veiculado pelos grandes meios de comunicação. O break foi o que primeiro apareceu na mídia. Era a dança de rua, feita na rua, criada na rua, crescida na rua, que atraía a mídia e os jovens, tanto da periferia como dos grandes centros. O rap idem: veio das ruas e ganhou as manchetes das revistas norte-americanas do pop e do rock. Está presente na MTV com uma série de video-clips e é bancado pelas grandes gravadoras. Só para citar duas notícias muito expressivas disso: Eminem se tornou o primeiro rapper a ganhar um Oscar e recentemente fez uma parceria com a Nike para vender tênis; a dupla de hip hop Outkast estourou nas pistas com 10 milhões de discos vendidos e dois prêmios Grammy, façanha conseguida apenas pelos Beatles.

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