Arquivo de dezembro, 2006

gatos

Publicado: dezembro 27, 2006 em pensar é só pensar

pagu-3.JPGgatos sao figuras interessantissimas… vivem bem, dormem muito, comem quando querem… nao se prendem a nada. na próxima encarnação, quero ser gato!

hora de arrumar as coisas…

Publicado: dezembro 27, 2006 em pensar é só pensar

eu, assumindo meu lado virginiano (que é raro), tirei o dia hoje para arrumar minhas coisas, jogar fora o que não serve, dar outras para quem pode aproveitar o que não preciso mais. acho bom se livrar de coisas do passado. sempre bom mexer no que já era. as vezes, dá uma certa nostalgia, mas as vezes eu me pergunto, como pude guardar por tanto tempo isso? como foi usar isso? que roupa é essa? o ridiculo, evidentemente, está sempre presente nessas horas. mas é bom. pretendo dar roupas e bolsas para o CASAI, lugar onde os indios ficam esperando por assistencia medica de casos mais complexos (o  que normalmente demora meses para serem atendidos).

A MúSICA NO AFEGANISTÃO

Publicado: dezembro 27, 2006 em pesquisas, textos

Em 1987, gravei com o meu grupo Mawaca uma música afegã que foi registrada no primeiro CD da banda com o nome de Aa lalo bacho. No arranjo,  eu fundia o tema afegão com uma cantiga de ninar brasileira, o Tutu Marambá. O arranjo soava um tanto mórbido e dava ares sombrios aos dois temas musicais, embora ingênuos. Alguns anos depois, com os Estados Unidos bombardeando Cabul, li uma matéria na revista Songlines que comentava sobre a queima de instrumentos musicais em praça pública por conta da repressão do Taleban. A música era proibida e quem portasse qualquer instrumento e era preso quem tocasse musica em algum toca-fitas. Aquilo me chocou tremendamente.

Como só conhecia essa canção (retirada de um livro de lullabies), meu interesse pela música desse país cresceu e fui procurar mais informações e sons de lá, tarefa quase impossível. Dai escrevi um texto que resolvi publicar aqui. Agora que queria saber se a musica realmente foi banida do Afeganistão.  

Encontro, hoje, sites com vários gêneros de musicas do Afeganistão e fico pensando se  eles refletem a musica que se faz hoje?. Que mudanças foram provocadas nesse ambiente hostil à musica?

O que será que aconteceu com a música tradicional desse país destruído por uma guerra de mais de 30 anos?

SOBRE A  MÚSICA NO AFEGANISTÃO – escrito em 2003 – revisado em 2006

O Afeganistão vive hoje uma historia de miséria total e corre o risco de perder sua identidade cultural, já que as artes em geral estão completamente banidas da vida da população. Como a vida sem música é impossível, o Taleban sabiamente ‘criou’ uma série de canções que usam melodias tradicionais (a maioria pertencentes ao folclore afegão) que já fazem parte da memória de todos e dessa forma incita a população a se sacrificar pela Jihad.

Os pashtun – maior grupo étnico do país – adoram música, mas depois da guerra civil e principalmente da instalação do Taleban no país, a música é considerada uma arte menor e os músicos são associados à vulgaridade. Em geral, o mundo das artes é visto com preconceito por eles e muitos escondem o interesse por medo de parecerem ‘não respeitáveis’… Apesar dessa atitude limitativa, a música folclórica ainda se preserva em pequenas comunidades e funciona como elemento unificador dessas tribos. Mas é só. Não há atividades musicais freqüentes, e o mercado fonográfico é nulo.

O Taleban decretou em 1996

(… ) Agora que a música é proibida* (exceto as canções do Taliban), não há nada em Kabul que possa aliviar as pessoas do sofrimento. Pelo menos a música fazia os afegãos esquecerem de sua dor e miséria, mesmo se fosse apenas por alguns momentos.

1- São proibidas  a execução de músicas e a danças em festas de casamento. Nenhum tipo de música é permitido.

2- Donos de estabelecimentos ou motoristas portando fitas cassetes serão presos. É proibido tocar tambores.

Mas por que proibir a música se no Alcorão não há nada preciso que indique isso? Alguns pesquisadores alegam que foi por causa dessa mestiçagem que o Taleban proibiu a música, pois as influências externas eram ‘malignas’, mas há quem afirme que a proibição da música no Afeganistão aconteceu por conta do regime Comunista que desvirtuou totalmente o uso da música, colocando-a no nível da diversão pura e simples para meios ilícitos e imorais (diz que o Partido selecionavam adolescentes bonitas para dançarem como prostitutas em festas particulares cujo público era exclusivamente masculino e formado por oficiais do alto escalão). Daí os Taleban passaram a relacionar a música à pornografia.

A palavra, isto é, a poesia, é bem mais respeitada e considerada arte elevada. A forma poética mais conhecida é o Landai – um poema curto de duas frases em geral composto por mulheres. Eles consideram mais importantes os cantores amadores que improvisam sobre uma melodia como o repentista ou cordelista do Nordeste do que os músicos profissionais que tentam manter a tradição.

UM POUCO SOBRE A MÚSICA AFEGÃ E SUA HISTÓRIA

A multiplicidade de etnias forneceu à cultura afegã características muito distintas e uma gama variada de estilos. Resultado de uma mistura entre três grandes regiões: a Ásia Central, o Próximo Oriente e a Índia (com as tradições persas, turcas e mongóis); cada uma delas exerceu uma influência significativa nas várias fases da história afegã. O Afeganistão cujo nome anterior era Ariyana, era assim chamado há um século e meio pelo Rei Ahmad Shah.

A música afegã é profundamente enraizada na tradição folclórica que apesar das proibições ainda consegue sobreviver na memória das pessoas. Há também a música clássica que é também fonte de orgulho para os afegãos e que foi trazida do sub-continente indiano pelos comerciantes muçulmanos que influenciou fortemente a música clássica local. A música afegã sofreu um forte impacto das trilhas sonoras dos filmes indianos de Bollywoody e da música popular do vizinho Irã, que por sua vez absorveu estilos ocidentais.

A diversidade étnica e lingüística da música afegã têm popularizado um número muito grande de música regional e local, como por exemplo: Hazaragi (da região de Hazaragi), Tajiky, Usbaki e Herati.

 

Da música regional, a mais conhecida é a música Herati por causa de suas melodias animadas. A cidade de Herati – localizada na parte oriental do Afeganistão teve sue auge e esplendor no século XVIII durante o período dos comerciantes de TIMURID Shan Rukh e do Sutalo Hussein Baigara, quando se transformou na capital do grande império e o centro cultural do mundo de língua persa.

 

Depois do declínio da música de Herati (por causa da decadência das fortunas locais), pode-se assegurar que a música da cidade passou por várias mudanças durante os séculos seguintes. A mais recente destas mudanças foi a adoção da música de Cabul na década de 30. Mesmo assim, ainda é possível identificar gêneros vocais e instrumentais da música de Herati.

 

Com a adoção da música de Cabul, instrumentos como o harmonium, e o sistema modal usado em Herati se transformou no de Cabul, com a oitava dividida em 12 intervalos iguais, dando uma configuração mais tonal e semelhante ao sistema ocidental.

 

A música de Cabul tem forte relação com a música do Norte da Índia. A conexão, que provavelmente existiu por um longo período, foi consolidada em 1860, quando um número grande de músicos da Índia foram trazidos para Cabul como músicos da corte. Eles mantiveram o conhecimento e a prática da música indiana, e eram capazes de cantar khyal além de formas da música vocal mais livres. Ao mesmo tempo, eles cultivaram e desenvolveram gêneros afegãos da música clássica, como por exemplo, a forma vocal ghazal e o gênero instrumental chamado naghmeh-e-kashal que é sempre relacionado ao instrumento de cordas rebab. Essas peças consistem de três seções principais: o shakl – que apresenta as principais características melódicas do modo em tempo livre; o astai – a composição principal, repetida inúmeras vezes com variações rítmicas e o antar – uma série de pequenas composições tocadas várias vezes cada vez com uma aceleração gradual até terminar a música.

 

Em termos gerais, a musica afegã pode ser dividida em várias categorias: clássica chamada pelos afegãos de KLASSIC e a popular que seria a musica de caráter folclórico ou ligada ao pop.

Dentro da música clássica, pode se dividir duas tendências básicas: em Herat há forte influência da musica iraniana principalmente no que se refere à entonação e em Cabul, a orientação é mais indiana. Divide-se a musica clássica em três categorias: a da poesia cantada que inclui os ghazals, gênero mais leve e bastante popular no Irã, na Ásia Central e no Paquistão. O ghazal é como o primo primeiro dos ghazals indianos e paquistaneses que incluem a poesia sufi do poeta Jalaluddin Rumi que é um dos poetas mais populares no Afeganistão. Há, também, as ragas (no mesmo estilo das clássicas ragas indianas que utiliza as tablas para desenhar os ritmos) e os naghmed que são composições instrumentais.

 

Há muitos músicos afegãos que são descendentes de famílias indianas, porque estas foram para Cabul para tocar na Corte Real durante muitos séculos. A diferença mais marcante entre o estilo afegão e o indiano no que se refere à performance das ragas é que os afegãos destacam mais o ritmo do que a melodia.

 

Os afegãos consideram o rebab o instrumento nacional. Há vários virtuosos do rebab. E na música popular, a maioria das canções folclóricas são acompanhadas por instrumentos como o dutar (espécie de alaúde), o tanbur (outro alaúde), o ghichak, e o dhol (tambor), o tamborim (semelhante ao daf iraniano). Mais recentemente eles têm usado violino, clarinete e violão, já mostrando a influência ocidental na preferência musical.

A rádio afegã, nos anos 50, ajudou a formatar a música moderna afegã tocando versões ocidentalizadas das musica tradicionais. Esse período produziu muitos artistas como a cantora Mahwash que canta no estilo tribal dos pashtu. È seguro dizer que muito da musica praticada no Afeganistão é derivada das festas de casamentos, de nascimentos e outras ocasiões.

 

Durante a guerra civil afegã, muitos músicos conhecidos deixaram Cabul para ser refugiar em Mashhad (cidade vizinha à Herat no Irã). Paquistão, Índia e Europa e América do Norte.

Segundo algumas fontes, a música patrocinada pelo governo comunista estava vinculada unicamente aos slogans do partido e só esses músicos é que conseguiam emprego. Quem não se aliasse aos ditames do partido, não tinha condições de sobreviver como musico. Os músicos que aceitavam fazer parte disse eram freqüentemente vistos e ouvidos nas rádios e TVs locais.

Depois da queda do Comunismo e o com o estabelecimento de uma fragmentada mais forte política religiosa, a música foi proibida. Esse fato dificultou a vida dos músicos profissionais, que tinham pouca oportunidade de tocar em ocasiões como casamentos, festas e os concertos do Ramadan. Quando o Taleban tomou Cabul em 1996, todas as formas de música foram proibidas. Cabul ofereceu aos seus residentes muito pouco em termos de entretenimento, mesmo para os soldados do Taleban que achavam a vida no Afeganistão muito difícil.

Agora que a música é proibida (exceto as canções do Taleban), não há nada em Cabul que possa aliviar as pessoas do sofrimento. Pelo menos a música fazia os afegãos esquecerem de sua dor e miséria, mesmo se fosse apenas por alguns momentos.

 

 

Dessa forma, os artistas afegãos estão descobrindo outras formas de desenvolver, definir e formatar a música afegã para assegurar a tradição e preservar para a geração futura.

 

Atualmente, a musica afegã é toscamente dividida em tradicional, moderna, pós-moderna. As fronteiras entre as diferentes categorias não são muito claras, mas o que define melhor são as eras em que elas aconteceram: período soviético, intra-soviético e pós-soviético. A influência das musicas dos paises vizinhos é forte, mas desde que a musica foi banida pelo Taleban, a maioria da música afegã tem sido criado no exílio. Artistas afegãos têm produzido música nos Estados Unidos e no Canadá. No site Afghanistan Music, há uma enorme lista i de gêneros e estilos da musica afegã, desde os mais populares, até a musica clássica, passando pelo rap, e pela musica pashtun. http://afghanistanmusic.com/

 

P.S. O Afeganistão com uma população entre 20 e 25 milhões de habitantes, tem duas línguas oficiais: Dari da Pérsia antiga e o Pahstu que é uma língua afegã. Dari é uma língua largamente falada em todo o Afeganistão. Na sua forma escrita, se assemelha a língua iraniana. Pashtu é dividido em dois importantes dialetos e é a língua nacional do pais. A maioria dos afegãos são fluentes tanto em Dari como em Pashtun.

 

A World Music – essa desconhecida e rechaçada tendência

Magda Pucci – abril 2006

Do que você gosta? De jazz, de pop, de rock, punk, de axé, de pagode? Qual o seu estilo musical predileto? Essa pergunta está sempre por ai nos atazanando, como se a gente definindo o estilo musical, define a tribo a que pertencemos, não é mesmo? Há um gênero – que inclui diferentes tendências – denominado World Music e que aqui no Brasil ainda engatinha. Dentre os diversos estilos e gêneros musicais da atualidade, a world music tem se mostrado a mais promissora tendência em todos os sentidos, tanto na área do conhecimento humano como no mercado fonográfico, isto é, na industria cultural.

O interesse em torno da música étnica mundial surgiu na década de 70 e veio crescendo vagarosamente até culminar com a atual tendência do multiculturalismo que busca uma visão sem preconceitos para as culturas pouco valorizadas e para as manifestações étnicas periféricas do Terceiro Mundo. A música africana e oriental passou a ser objeto de interesse de muitos pesquisadores e músicos. Hoje, são importantes referências porque mudaram a forma de se pensar a musica no Ocidente.  tanto a música contemporânea, erudita ou popular se transformou pelo contato.

Antes, essa musica era pesquisado por antropólogos e etnomusicólogos<!–[if !supportFootnotes]–>[1]<!–[endif]–> que passavam a viver em lugares isolados como algumas ilhas do Pacífico, aldeias africanas, ou no meio dos esquimós (em geral, locais que tinham se transformado em colônias), por meses a fim de conhecer de perto as tradições musicais desses povos. Hoje vemos “etnomusicólogos informais” na figura de  artistas-produtores cujo interesse pelas formas musicais “diferentes” os levaram a criar novas conexões musicais.

Esse movimento abriu, por assim dizer, as fronteiras da música criando novos caminhos, que hoje já são considerados tendências estabelecidas tais como o Minimalismo assim como o movimento Afro-Pop desencadeado pelo Black is Beautiful e que popularizou a cantora sul-africana Miriam Makeba. Para situar melhor, vamos citar alguns nomes que em diferentes épocas buscaram beber na fonte da “música étnica”, ou melhor, na música do Outro.

Brian Eno, Jon Hassel e Bill Laswell (que juntos realizaram o álbum In the bush of ghosts); David Byrne e Peter Gabriel (que criaram seus selos que difundem artistas do mundo todo); David Fanshawe (inglês que gravou em campo cantos africanos que eram tocados junto com uma orquestra e uma banda de rock); Riuchi Sakamoto (gravou e recriou temas de Okinawa quando a ilha era ainda desprezada pelos japoneses); Steve Reich e Terry Riley (que foram amplamente influenciados pelas estruturas da música clássica indiana e pelos gamelões javaneses); o trompetista Don Cherry; Sun Ra; a dupla George Harrison e Ravi Shankar (que deu bons frutos de fusão do jazz, do pop e da musica erudita com a musica clássica indiana); o produtor Simon Emerson (que produziu o antológico álbum Mustt Mustt de Nusrat Fateh Ali Khan); Hughes de Courson (cujo projetos sugerem misturas inusitadas); Joe Zawinul; Herbie Hancock; Duke Ellington e tantos outros.

Como se pode observar, são artistas das mais diversas tendências musicais provenientes de várias partes do mundo que abriram suas cabeças para ações que ampliam o universo sonoro musical. Cada um à sua maneira, reinventou, recriou, reviveu, reorganizou, refez, enfim, “mexeu” com alguns dos milhares de arquétipos musicais de outras eras e de outros povos mesclando à sua visão de mundo. Os resultados, na sua maioria, são de boa qualidade e muitos deles marcaram época.

Alem dos interesses individuais de alguns músicos, tem sido comum observamos o boom de um determinado estilo por uns tempos. Na década de 70, por exemplo, nós assistimos ao fascínio causada pela música Gnawa marroquina em Jimmi Hendrix, nos Rolling Stones assim como rendeu um álbum com a dupla Robert Plenty  e Jimmy Page. Sex, drugs and world music, eu diria. Na França, teve também o boom do Rai argelino cujo conteúdo altamente político passou desapercebido aqui no Brasil quando virou a música da dança da Feiticeira.

Na onda das fusões, surgiram no mercado, os CDs do produtor Hughes de Courson onde ele mistura Bach com corais africanos, Vivaldi com melodias irlandesas e Mozart com música egípcia. Loucura?  Com extremo bom gosto, esse produtor francês    também advindo do rock – mostrou inventividade ao interligar os elementos fundamentais de cada uma dessas matrizes musicais. David Byrne, alem de ter tirado Tom Zé do ostracismo, criou a série Afropea pelo seu selo Luaka Bop para divulgar artistas portugueses e africanos desvendando uma teia de intersecções musicais interessantíssimas. Mais conhecida foi a parceria do Paul Simon com o grupo vocal sul-africano Ladysmith Black Mambazo. Quem poderia imaginar que o mbube – estilo de cantar das minas da África do Sul – se tornaria tão conhecido no mundo ocidental e que fosse virar tema da trilha do filme infantil ‘The Lion Sleeps Tonight”. Depois disso, Paul Simon se debruça sobre os sons do Brasil e grava com um grupo de meninos tocando tambores do axé baiano.

Atualmente, incontáveis pequenos e médios selos – alguns “braços” de grandes gravadoras – vêm se firmando e assumindo uma parcela razoável do mercado fonográfico mundial. São esses selos que têm explorado as diferentes ramificações da World Music que passam desde o registro da música tradicional gravada in loco  -(Ellipsis Arts, Harmonia Mundi, Ethnic etc.), até as fusões da música étnica com o pop e com o rock, (Rykodisk, Realworld, Stern) assim como as fusões com a musica clássica (Jaro Music) e com a musica eletrônica (muitos!) – onde o uso de samples ‘étnicos’ virou mania total você talvez se lembre do canto dos pigmeus sobre as bases do Deep Forest (uma das primeiras tentativas nesse sentido).

Sem falar nos grupos que misturam música de um lugar e de outro como o Radio Tarifa, Ojos de Brujo, Afro-Celt System entre outros. E gente que transcende a música tradicional e cria novas composições como a indiana Sheila Chandra, o alaudista Rabih Abou Khalil; o palestino Yair Dalal, a húngara Marta Sebéstyen, Yungchen Lhamo entre tantos outros. A world music ganha seu espaço e não faltam termos para definir os vários estilos que surgem.  

A diversidade de tendências propiciou um campo fértil para a produção de CDs de artistas que antes disso não viam perspectiva alguma de se colocar musicalmente fora do seu país de origem. Hoje é comum ver músicos do Nilo, do Leste Europeu, da Finlândia com agendas lotadas por mais de um ano em festivais de música do mundo todo. No inicio desse processo, a porta de entrada era os festivais de jazz, mas hoje, há uma profusão de festivais de World Music, principalmente na Europa que congrega artistas de todos os estilos, alguns com tendência mais pop, outros mais tradicionais.

Os sons étnicos também encantaram pop stars como Madonna e Björk. Madonna lançou um CD com mantras indianos depois de conhecer os princípios da Yoga e do guru Deepak Chopra. Björk, que além de se apresentar com um grupo de esquimós, participou de um acústico na MTV onde ela era acompanhada por uma orquestra de gamelões de Java, tablas indianas harpa celta além de instrumentos vintage. E quem era o tablista de Bjork nesse show? Talvin Singh, o indiano que decolou na cena do asian underground londrino. Hoje produtor requisitadíssimo, a musica de Singh se diferencia dos outros DJs do mundo porque usa as células rítmicas tradicionais das tablas indianas para fazer suas bases eletrônicas.

Outro caso interessante é o do argelino Cheb Mami que ganhou notoriedade quando Sting fez uma participação especial no seu mais recente CD Roses. O mundo pop está a beber das fontes musicais étnicas, como se fossem tônicos revitalizantes.

Felizmente, percebe-se uma agitação intensa em torno de se criar espaços onde essas múltiplas tendências possam ser integrar. Até o momento, são as rádios que mais têm aberto espaço para a world music, como a rede alemã Multikulti SBF4 e a Radio France Internacional. A BBC de Londres já estabeleceu, há alguns anos, um prêmio respeitadíssimo na área de World  Music. A rádio, antes voltada quase que exclusivamente para a musica erudita, abriu espaço para a World Music em programas muito de alto nível com grandes audiências. Revistas como Songlines, FolkRoots, Rhythm Magazine, Mondomix, o jornal Batonga! entre outras vêm mostrando o que acontece nesse universo musical fascinante. Nos Estados Unidos, há a WordlinkTV canal especializado em video-clips de artistas da world music. São mais de 300 festivais ligados a World Music só na Europa que, sem sombra de dúvida, devem estar ampliando o raio de ação desses artistas que não param de aparecer.

No Brasil, a coisa ainda anda lentamente. Muitos artistas da MPB reclamam do termo World Music, se sentem descriminados por causa do rótulo a eles destinado. Mas devemos nos lembrar que esses mesmo músicos devem a existência ou a continuidade de suas carreiras graças a esse mercado da World Music, que os recebe muitíssimo bem lá fora e ainda os coloca sempre em posição quase sempre de destaque nos rankings todos.

O termo World Music foi criado por produtores, na década de 70, com o intuito de “separar” a música de língua anglo-saxônica (isto é: o pop americano e o rock inglês) que se fazia na época, dessa outra música que não só falava outras línguas (latinas, africanas etc. ) como tocavam outros instrumentos, dançavam outros ritmos, usavam outras escalas musicais. Imagine que naquele momento, ouvir o som de um instrumento aborígine australiano ou o canto pigmeu africano em casa, era algo totalmente fora do comum e excitava a imaginação musical de muita gente Evidente que a intenção se resvala numa atitude colonialista (que separava os “civilizados” (eles) dos “primitivos” (nós, do Terceiro Mundo criativo). A necessidade urgente, naquele momento, era estabelecer um lugar nas prateleiras para essa música, digamos, exótica, “diferente” do que se fazia em outros lugares. Se revestido de preconceito ou não, o fato é que o termo adveio de uma necessidade mercadológica e prática: onde colocar essa música que não é rock, nem pop, nem jazz?  O resultado disso foi uma ampliação de um espaço quase inexistente para uma música que nunca esteve presente em loja alguma seja na Europa ou nos Estados Unidos. Essa empreitada foi de tal forma bem sucedida, que criou um mercado suficientemente forte para estimular a criação de um Grammy Latino para tirar do páreo), artistas da  World Music que estavam “roubando” o espaço de estrelas do pop americano. Pior que o preconceito, só é a reserva de mercado…

Quem conheceria os cantos afro-peruanos coletados por Susana Baca se não fosse David Byrne em reconhecê-la com tal? (que diz odiar a World Music mas bebe direto nessa fonte). Como poderíamos conhecer a música cabo-verdiana, se Cesárea Évora não tivesse o reconhecimento e sucesso que teve na França, justamente para fomentar esse mercado de World Music? Seriamos mais pobres, culturalmente falando, se não tivéssemos conhecido o grande talento do cantor paquistanês sufi Nusrat Fateh Ali Khan, que gravou mais de 60 CDs, boa parte deles para alimentar o tal mercado da World Music na França. Como teríamos esperança em unir palestinos e judeus se não fosse Yair Dalal tocando com músicos dos dois lados em projetos pelo mundo todo? Jamais conheceríamos os sons estranhos e maravilhosos dos cantos de Tuva se não fosse a curiosidade cultural de produtores de um selo americano que nasceu no bojo da World Music. O que seriam daqueles fantásticos músicos cubanos se Ry Cooder não tivesse se prontificado a lançá-los novamente para o mundo depois de tanto tempo de ostracismo? Uns poderiam dizer que isso é oportunismo. Outros diriam que as fusões poderiam afetar a pureza dessa música original, autóctone –  o que é uma grande bobagem – tendo em vista que a música tem essa característica de ser um ser vivo cambiante, em constante mutação sonora e que não precisa de passaporte para ser boa ou ruim. As fronteiras estão na mente de quem quer identificar origens e congelá-las em cubículos inúteis.

A World Music tem, sim, contribuído de forma magnífica para que possamos, ao menos, conhecer o que tem de bom (e de ruim também) do outro lado do mundo. Saber o que o vizinho da América Latina está tocando; quem está produzindo música lá nos confins da Finlândia e até mesmo se dar conta de que existe um pop feito pelos esquimós no Canadá.

Conhecer o outro – como dizia Lévi-Strauss – nos faz conhecer a nós mesmos. Por mais banal que essa prerrogativa possa parecer, a música é a arte que menos fronteiras tem. Ela tem o poder de nos fornecer um  “passaporte” virtual sem necessidades de vistos ou alfândegas. 

Aqui no Brasil, no entanto, estamos engatinhando muito nesse pensamento. A World Music inexiste aqui. Talvez por excesso de nacionalismo (um anacronismo terrível, diga-se de passagem), talvez por pura ignorância, não sei bem ao certo, mas o que se verifica é um preconceito crescente com a produção da World Music.

A imprensa, em geral, avacalha qualquer artista que tenha esse rótulo, antes mesmo de conhecer de perto o trabalho do músico ou da banda. Outro grande problema das mídias e das lojas brasileiras é confundir as produções da World Music com os subprodutos da New Age ou colocar no mesmo balaio astros da música internacional brega como Julio Iglesias e adjacentes que seriam evidentemente ligados ao gênero  romântico e não têm nada a ver com o fenômeno da World Music. A desinformação é generalizada. Os sites de música e das lojas de CDs confundem mais ainda a cabeça do consumidor. Como produtora e apresentadora do programa de rádio Planeta Som há mais de 10 anos – cujo foco é a produção da World Music – observo o desespero dos meus ouvintes tentando localizar no mercado os CDs que eu toco.

Mas porque conhecer o outro se a nossa musica é tão boa? – diriam alguns brasileiros… Reiterando a mesma idéia: Toquemos o nosso quintal que ele soará interessante para os outros. Muitos já fizeram isso e se deram bem. O quintal da nossa casa é bonito sim, tivemos uma música boa em algum passado recente. Mas agora, a situação mudou. O pop brasileiro é ruim, a MPB está sem saber para onde ir,  a nossa eletrônica é medíocre, o funk, o hip hop e o rap ganham o apreço de “patricinhas” e “mauricinhos”, não há mais espaço para a musica experimental. E a música brasileira, fragmentada e indecisa, segue desprezando as tradições mais interessantes e deseja a todo custo se equiparar a um “padrão globalizado” das trilhas sonoras das novelas. Segundo Robert Fripp, guitarrista da lendária banda inglesa King Crimson, dizia:  se não tens o que criar, bebe na tradição.

Então, voto aqui para, uma repensar sobre as bases da(s) música(s) dos diversos “povoamentos musicais” que aqui vivem e que não sabemos que existem. Não se trata de resgate de coisa alguma, porque essa musica está viva nas comunidades, nos quilombos, nas rodas de jongo, nas aldeias indígenas, nos pátios das igrejas, na mata. Isso seria uma atitude de resgate de nós mesmos. Porque não conhecemos nada do que acontece nesses lugares. Somos completos ignorantes dessas tradições musicais. Mas tomemos cuidado com o tom, para que não nos tornemos nacionalistas de novo porque isso é coisa de um passado getulista. Vamos começar a ouvir a música de artistas anônimos, de gente que nunca esteve na mídia. Vamos ouvir os CDs produzidos pela Associação Cachuera! que coletou diferentes formas de jongo no Brasil todo como nenhuma outra instituição oficial fez. Vamos reescutar  essas músicas sem xenofobia. Com respeito, mas buscando entender o que ela tem para nos dizer. Se vai misturar com beats eletrônicos ou não, não interessa. Cada um recria da forma como achar melhor. Sejamos ouvintes das músicas daqui e do mundo.

Com esse movimento em torno da world music, é possível se apoiar em outras referências. Muitas delas (a maioria) fogem do padrão globalizante da atual música. Acredita-se que essas referências possam cutucar os parâmetros da mentalidade do público e se transformar na porta para uma possível saída para uma vida musical (e cultural) mais inteligente.

Nos anos 30, Mário de Andrade andou em lombo de boi para gravar o carimbó do Pará, o Boi do Maranhão, mas pelas dificuldades da época, ninguém conseguia ouvir o que ele tinha gravado. Demorou mais de 40 anos para que os CDs com o material de pesquisa das Expedições fossem lançados por uma gravadora de World Music em projeto de Mickey Hart, baterista do Grateful Dead. Vejam como a World Music é útil até mesmo para a música brasileira!

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<!–[endif]–>

<!–[if !supportFootnotes]–>[1]<!–[endif]–> Alan Merriam, Anthony Seeger,  John Blacking, Bruno Netl e aqui no Brasil, Mário de Andrade, Tiago de Oliveira Pinto e Rafael Menezes entre muitos outros.

ORALIDADES –  OS DIVERSOS SONS DA VOZ

*obs. pesquisa em andamento – aberta a comentários.

Estou investigando as várias possibilidades da voz de forma mais acadêmica. Depois de ovir muuuuita coisa, muita gente cantando das mais diferentes formas, com os timbres mais estranhos, percebi que as classificações existentes  são bem confusas.. . gutural, por exemplo, dá margem para varias interpretações. Ninguem´, nem da fonoaudioloogia, nem da etnomusicologia, nem professores de canto, nem os próprios cantores, conseguem entrar num  acordo quanto à classificação das fomras de cantar. Baseando-me numa pesquisa realizada pelo Museu do Homem de Paris, eu trabalhei sobre estes dados, abaixo compilados sobre o que tenho ouvido. Se quiser ouvir os audios, favor contatar me no email: planeta.som@uol.com.br.

 

TIPOS DE EMISSÕES VOCAIS – oralidades e sons

1. Gritos, chamadas e interjeições – As ululações árabes berberes para

festas (li-li-li), choros fúnebres (caiapós, nambiquara, paraguaios), gritos de trabalho, exclamações do teatro nô, canto do muezzin nas mesquitas (oração muçulmana); cantos de caçada dos pigmeus africanos, o kecak balinês são formas de expressão vocal ancestrais. Seriam na visão musicológica tradicional, a matriz de toda expressão humana, geradora do canto.

2. Voz mesclada com a respiração – usa-se em muitas culturas a voz alternada com a respiração com a função de dar ritmo e/ou explorar os timbres. Exemplos: o canto Burundi ou dos tuaregues, os cantos de cura de Madagascar (hiperventilação leva ao transe), o canto para Alá do Quênia entre outros.

3. Voz falada, declamada e cantada – Diferentes tradições usam a voz falada e cantada como formas de expressão. Algumas culturas mesclam duas ou três formas. Veja por exemplo as recitações corânicas, as salmodias budistas, as declamações dos livros indianos como o Rig Veda ou até mesmo a fala de um pastor evangélico. Na cultura dos ciganos da Romênia, há um estilo musical que mistura as três formas.

 

4. Tessitura e registro vocal – No ocidente comenta-se da existência de apenas dois registros: a voz de cabeça e a de peito, mas há também o strohbass também conhecido como mecanismo zero e o assovio (whistle/mecanismo 3). Ex. os monges budistas e os xamãs tuvanos usam voz strohbass e ao mesmo tempo conseguem fazer soar os harmônicos agudos (que soam como flautinhas bem agudas). Os índios brasileiros e cantores da Nova Guiné usam o segundo registro: nasal e agudo. Usar dois registros é comum em algumas culturas: o yodel – não somente encontrado nos Alpes, mas também na Oceania, no Irã, na Albânia e África – costuma utilizar intervalos de sexta e sétimas com sílabas específicas para cada registro. Ao contrário do canto lírico, não se mascara a passagem de um registro para outro, deixa-se transparecê-la claramente e isso é propriamente o estilo yodel.

 

5. Cores e timbres – Há uma pobreza de vocabulário para expressar as diferentes nuances dos timbres vocais do mundo. É possível reconhecer de onde é uma canção ao ouvirmos um pequeno trecho de alguma canção vocal, mas nem sempre é possível explicar com palavras o que ouvimos. Há sons nasais e nasais! Há guturais e guturais!… Por exemplo, o canto gutural flamenco não soa semelhante ao canto gutural do povo Xhosa nem da Bretanha. Conseguimos identificar que são timbres diferentes, mas não há termos musicais ou técnicos que consigam explicar essas características de nasalidade ou guturalidade.

 

6. Ornamentação – Mais do que um simples ornamento sem função há muitos cantos em que a ornamentação é traço fundamental, isto é, faz parte da estrutura musical e define o estilo. Alguns vibratos na musica Sioux e da Mongólia são ornamentos de duas ou mais notas. O ornamento do dhrupad indiano usa a glote e interrompe o som por alguns segundos. Na música árabe em geral, são usados muitos os melismas (desenhos melódico-rítmicas sobre uma sílaba), além de trinados e vibratos que dão uma tonalidade totalmente diferente para as vozes que são características da cultura de origem persa.

7. Vozes e instrumentos e a imitação de instrumentos na voz – Há um número muito grande de técnicas que utilizam a voz juntamente com instrumentos de sopro, de cordas e instrumentos de percussão fazendo contrapontos e diálogos interessantes. Um bom exemplo são os didjeridus australianos (onde se canta dentro do instrumento); os pigmeus e as flautas da África Central. Mas há também o uso da voz imitando instrumentos, como scatting canadense (usado no jazz americano) e os cantos das mulheres berberes.

8. O uso de harmônicos

Tomando com base um som fundamental (também conhecido como harmônico 1) consegue-se configurar melodias usando os harmônico ultra-agudos. Essa técnica, conhecida como overtone consiste em explorar os harmônicos modificando o volume da boca e a posição da língua com vogais que se alternam. O som que excita essa emissão pode ser externo (como a gaita de boca/ jews harp ou um arco ou até mesmo um inseto! de papua guiné) ou interno que usa as próprias cordas vocais como é o caso dos cantores da Mongólia e da Sibéria, de Tuva e também do povo Xhosa na África.

 

PROCEDIMENTOS VOCAIS

 

1. DIAFONIA implica na sobreposição de diversas partes rítmicas em diferentes intervalos (geralmente terças, quartas ou quintas). As partes devem ficar paralelas (autêntica diafonia), mas também pode se desenvolver em direções opostas (movimento contrário) ou em direções oblíquas (uma é fixa enquanto a outra se move). Para se produzir as diferentes diafonias usam se alguns procedimentos tais como:

a. DRONE ou PEDAL é um som que se mantém quase sempre imóvel e é responsável por um tipo de polifonia de movimento oblíquo, ou seja, a nota mais grave permanece parada enquanto as outras se movimentam. O drone – que pode ser de uma nota só ou de várias – cria uma base para as outras vozes, como nas cerimônias bizantinas, ou nos cantos corsas e também na música clássica indiana onde o som base produzido pela tambura produz uma constante referência modal. O drone é muito usado também nos coros femininos do Leste Europeu: as mulheres búlgaras ficaram conhecidas pela sonoridade vocal causada pelo uso dos drones e dos intervalos de segundas causados pela sobreposição da melodia com os graves. Os cantos da Sardenha também utilizam o pedal vocal grave produzindo sonoridades interessantes.

 

b. ECOS E OVERLAPPING – Há cantos de Nova Guiné em que as mulheres cantam em eco, mas a última nota de mantém por mais tempo, então se acaba criando uma sobreposição de sons que podem ser altamente dissonantes provocando batimento de harmônicos (vide gamelões balineses).

 

c. OSTINATOS – são pequenas frases que se repetem constantemente criando um ritmo e uma base para improvisos ou novas aberturas vocais. Os ostinatos fazem a função, em alguns momentos, do drone ou se mesclam a eles, criando uma atmosfera musical totalmente diferente da música ocidental. São muito utilizados na música africana, na musica aborígine australiana, assim como nos cantos dos tenores (tradicionais da Sardenha no Mediterrâneo) onde o baixo e o tenor ficam repetindo em quintas paralelas as palavras ritmadas (ex.bimbaram bem barambum).

 

2. POLIFONIA – Na musicologia clássica ocidental a polifonia sempre foi classificada como uma técnica que vozes que se cruzam contrapontisticamente, no entanto, em outras culturas, há diferentes formas de polifonia que podem ser divididas dessa forma: A polifonia de tradição oral é conhecida no mundo todo e não é exclusiva do mundo europeu. Formas polifonias são encontradas em toda a África Sub Sahariana assim como na Oceania, nos mais recônditos cantos da Ásia.A polifonia corsa, é na realidade uma diafonia.

3. CANTO RESPONSORIAL refere-se a dois diferentes grupos vocais que se alternam e respondem um ao outro não necessariamente com a mesma melodia. Pode ser também o canto de um solista (que faz a chamada) e o coro responde com uma frase musical sempre igual. Não tem o senso rigoroso da polifonia e a intenção é coletiva, uma parte precisa da outra, ou seja, nenhum dos dois grupos representa a música totalmente por si só. Há necessariamente uma interação entre os dois grupos ou solista e grupo. Os países da África possuem um número infindável de temas responsoriais que acabaram por gerar o gospel norte-americano.

 

4. CÂNONE é uma forma contrapontística caracterizada pela repetição da mesma melodia alguns compassos depois criando uma imitação sucessiva possibilitando harmonias. O cânone é um procedimento muito comum nas culturas tradicionais, mas foi também muito utilizado por compositores da musica erudita ocidental embora com resultantes sonoras bem diferentes. Fazer diferenciação do cânone ‘mozartiano’ e do cânone livre.

 

 

POR QUE A WORLD MUSIC NÃO DEU CERTO NO BRASIL?

A world music tem se mostrado uma das mais promissoras tendências na Europa e nos Estados Unidos, tanto no que se refere ao resgate de importantes tradições musicais como no sentido de lançar novos contornos para a revitalização da música contemporânea. Só na Europa, são mais de 300 festivais durante o verão, onde se apresenta uma enorme diversidade de músicos de todas as partes do globo. No entanto, aqui no Brasil, esse segmento parece pouco promissor. A world music é muito mal compreendida e geralmente vista com sérias reservas pela mídia. Poucos artistas brasileiros adotam essa denominação pelo aspecto pejorativo que ela ganhou. O que deu de errado? Há pouco investimento? Ou é falta de visão? Preconceito apenas? Ou seria um nacionalismo exarcebado? Onde se encontra a dificuldade de entendermos o “outro”? Será que nós nos bastamos?

Planeta Som, o meu programa

Publicado: dezembro 23, 2006 em Musica

Há mais de 10 anos produzo e apresento o programa de radio Planeta Som, transmitido pela Rádio USP, também transmitido pela radio alemã Multikulti (na série World Music Night) e recentemente pela Rádio Universitaria de Londrina (UEL). Eu adoro fazer esse programa porque toco o que gosto, sou eu mesma faço a seleção musical, escrevo os roteiros, faço as entrevistas (poucas,mas faço) e agora estou tentando atualizar o site do programa. Quem quiser ouvir o programa é só acessar o site da Radio USP  www.radio.usp.br e procurar por Planeta Som em programas. Escrevi um textinho sobre a minha experiencia  para o III Jornadas Radiofonicas na PUC. Está lá na sessão de textos para quem quiser saber mais sobre o programa.